“Eu só quero estar no meio do furacão das transformações, sonhando um dia, quando aprender um pouco do mundo, voltar pro sertão que um dia deixei pra trás.”
Há muitos caminhos que podemos seguir para mostrar nossa arte. Por que e pra que são perguntas que eu não saberia responder. Mas para quem, é a pergunta que nos move. E simplesmente atuar é a própria resposta. E por esse caminho muitas vezes solitário e doloroso encontramos exemplos que muitas vezes não queremos seguir. As vezes não sabemos o por que. Só sentimos que não são bons. Então devemos aprender conjuntamente com o ato de atuar a dizer "não". Mas também muitos são os bons exemplos que nos inspiram e nos tornam melhores.
Paulo Autran durante ensaio de sua última peça teatral, "O Avarento", em São Paulo, 2006. Foto: AE
Devemos nos capacitar constantemente. Estudar muito. Ler muito. Praticar muito. Acredito que devemos nos vigiar sempre. Vigiar para não se perder em um mercado exigente e "sufocante" e com muitas possibilidades. Mas tudo isso é vago. As palavras são lançadas ao vento e muitas vezes não há tempo de entendê-las. Então devemos saber que atuar é a ação nescessária de um ator. Ação é o seu verbo primeiro. Atuar com ação! Atuar sempre e com inteligência.
Cacilda Becker em Esperando Godot (1969), Foto: Divulgação
Não é tão difícil encontrarmos outros profissionais com problemas e questões parecidas com a minha, com a nossa. Como viver da minha arte? Como ganhar dinheiro atuando? Como me tornar um ator atuante? Como ser reconhecido e respeitado e etc. Muitas são as questões. Mas também muitas são as respostas. Talvez isso ajude a complicar ainda mais o caminho. Afim de minimizar as questões e ajudar nas escolhas publico uma série de três vídeos muito interessantes que vão nos ajudar na travessia.
Antonio Nóbrega. Foto: Walter Carvalho
São vídeos com a entrevista do professor, diretor e ator André Grecco falando um pouco sobre os passos necessários para se tornar um ator, e profissionais que se destacaram no mercado por realizarem seus projetos, assumindo a função de produtores. As
histórias são inspiradoras para muitos atores que pretendem produzir os
seus sonhos, conseguindo assim, uma maior estabilidade na carreira.
Esses três vídeos são alguns dos muitos produzidos pela TV
Guia do Ator que faz parte do portal Guia do Ator, site criado em fevereiro de 2009 e que visa centralizar informações e
oferecer ferramentas para ajudar na carreira de atores e produtores. No
site você encontra informações de testes, cursos, editais, projetos
culturais, espetáculos, notícias do mercado artístico, além de programas da TV
Guia do Ator.
Então aproveite a sugestão e se gostar veja os outros tantos vídeos de entrevistas.
COMO SE TORNAR UM ATOR - TV Guia do Ator (Programa 39)
ATORES QUE SE PRODUZEM - TV Guia do Ator (Programa 42)
ATORES QUE SE PRODUZEM - PARTE 2 / PROAC, ROUANET E NF -
E não nos esqueçamos nunca de nossas palavras mágicas: Perseverança, paciência, ousadia, trabalho, sonhar, reinventar, atuar com inteligência e etc. Alguma outra sugestão?
Muitos são
os desejos em realizar nossos sonhos. Muito deverá ser o trabalho empenhado em
realizá-los. Será esse o nosso maior propósito neste ano novo que começa.
Projetos bons para as artes cênicas, cinema e música é que estamos preparando.
Novos parceiros se juntarão aos parceiros já conquistados. Pois é isso! Estamos
preparando coisas boas! Aguardem!
Começaremos
essa etapa junto com os parceiros da Feira Agroecológica de Teresópolis. Homens
e mulheres empenhados em nos proporcionar o bem estar através do alimento, da
educação ambiental, sustentabilidade e da arte e cultura.
A Feira Agroecológica de Teresópolis é um espaço de
comercialização dos produtos e de divulgação
dos serviços, do trabalho e da filosofia da
Associação Agroecológica de Teresópolis.
Acontece todas às quartas das 09 às 14 horas no
quiosque do SESC Teresópolis e aos Sábados, das 08 às 12h na Rua Ten. Luis
Meirelles, pertinho da Rodoviária.
Uma regra fundamental da feira é não utilizar ou
vender produtos que poluam o meio ambiente ou comprometam a saúde. Um exemplo
disso é não vender alimentos com agrotóxicos ou produtos de grandes redes
empresariais.
Os agricultores e artesãos ligados a feira buscam incessantemente tornar sua
terra, seus produtos e sua filosofia de vida, coerentes com a essência do
trabalho difundido neste espaço, buscando assim, a sustentabilidade, a clareza
e o companheirismo.
Além disso, a feira se caracteriza pela venda direta entre os produtores e os
consumidores, buscando sempre um preço justo para quem produz e para quem
consome.
Foto: Colhida no Blog http://feiraagroecologicateresopolis.blogspot.com.br/
A feira é um forte espaço de conscientização de
questões ecológicas, de incentivo ao pensamento e atitudes ecologicamente
corretos para um mundo mais justo, limpo e harmônico. Ambiente que favorece a
criatividade. Outra questão relevante é a presença e a valorização de artistas
e movimentos culturais para garantir a animação e para ajudar a pensar e a
construir um mundo novo.
Realizar essa parceria com a Feira Agroecológica de
Teresópolis e toda sua filosofia, apresentando um de nossos projetos com nossas
violas é unir nosso modo de pensar a arte e a cultura a um modo de vida
responsável e justo com todo ser humano e com todo o planeta. Se não agimos
assim devemos ao menos nos educar a cada instante para esse propósito.
E para começar com o pé direito iremos celebrar com
uma única apresentação de um novo trabalho de música com as violas caipira e de
cocho que está sendo preparado. As violas estarão “voando” sobre Teresópolis no
dia 04 de Janeiro. A apresentação acontecerá durante a Feira Agroecológica de
Teresópolis e é aberto ao público. É um projeto cênico musical que está sendo
criado com o intuito de valorizar o universo cultural da viola caipira e
apresentar a viola de cocho no Estado do Rio de Janeiro. Sua proposta artística
reúne músicas selecionadas do cancioneiro tradicional e peças instrumentais.
Será um trabalho lindo com um toque feminino. É o que posso adiantar.
Foto: Andressa Martins
Então quem estiver pela região serrana do Estado do
Rio de Janeiro dê uma passada por Teresópolis para conferir um pouquinho o que
estamos preparando para este ano. Mas chegue mais cedo para aproveitar e levar
alimentos orgânicos fresquinhos e conhecer a Feira Agroecológica de Teresópolis
e todas as pessoas que estão trabalhando para o nosso bem estar!
E Feliz 2014!!!
Serviço:
Apresentação musical de Viola Caipira e Viola de Cocho na Feira Agroecológica de Teresópolis
Com Du Machado e Isis Maria
Dia 04 de Janeiro de 2014 ( Sábado)
Rua Ten. Luis Meirelles, perto da Rodoviária de Teresópolis
Três Reis Magos (1915) por Henry Siddons Mowbray (1858-1928)
Recebi enorme influência artística de festas populares. E uma das mais importantes em minha vida que de certa forma molda o meu espírito artístico/místico são as festas de Folias de Reis. Guardo em meu espírito um respeito enorme por motivos pessoais e especiais. Na maioria das vezes essas festas dramatizam a visita em que os Três Reis Magos fizeram ao menino Jesus. Mas o que são e quem são esses Reis Magos que levados pela estrela do oriente foram de encontro ao filho de Maria? Encontrei esse artigo de Affonso M. Furtado da Silva que trata da temática de forma muito interessante. Vale muito a pena conferir. Boa Leitura!
O Folclorista Affonso M. Furtado da Silva escreve sobre as orignes das tradicoes do reisado, remontando ao texto Bíblico.
As celebrações
em louvor aos Reis Magos ocorrem basicamente entre o Natal e 6 de
janeiro, dia de Santos Reis: é o terceiro momento do ciclo festivo do
Natal, que se integra ao patrimônio artístico e cultural. Para alguns,
esta alegre manifestação de religiosidade popular teria surgido entre
nós; entretanto, ela se originou bem mais remotamente.
Esses
personagens bíblicos surgem no capítulo 2 do Evangelho de São Mateus,
no episódio da Adoração dos Reis Magos, que a eles alude vagamente, sem
especificar nomes, categorias, número ou procedência. Após meditação
exegética, Apologistas e os Pais da Igreja - Gregório, Ambrósio,
Jerônimo, João Crisóstomo, Agostinho e Tomás de Aquino, entre outros,
formularam os primeiros dogmas e rituais cristãos e se manifestaram
sobre os Magos.
No
século VI, os Magos já eram considerados "Reis" e o Papa Leão I, o
Grande, fixou-os em número de três. No século XII, em documento
atribuído ao monge beneditino inglês Beda, surgem os nomes definitivos:
Gaspar, Balthazar e Melchior, e suas descrições foram estabelecidas.
(Os Três Reis Magos em um mosaico do final do século VI em San Apollinare Nuovo)
Os
Magos influenciaram artes e tradições populares desde os primórdios da
cristandade. O pesquisador francês Gilbert Vezin, autor da obra clássica
"L´Adoration et le cicle des Mages dans l´art chrétien primitif "
afirma de modo categórico: "O tema da Adoração dos Magos foi o assunto
mais popular e frequente que se expressou na Arte, no Oriente e no
Ocidente". Na Idade Média, em Creccio-Itália, São Francisco de Assis
concebeu, em 1223, a representação da cena da natividade (Presépio), na
qual se incorpora a figura dos Reis Magos.
Esta
criação difundiu-se por toda a cristandade, dando notável impulso ao
processo de evangelização da doutrina cristã, passando a estar também
presente nos lares mais humildes em zonas rurais e pequenas localidades
distantes dos aglomerados urbanos. Surgiram também estórias e lendas
envolvendo os Reis Magos, no sentido de "(...) complementar o que
faltava à imaginação popular (...)", anota o historiador de arte francês
Émile Mâle, em artigo publicado nos alvores do século XX, na Gazette de
Beaux-Arts.
Prossegue
o autor: "O povo achava os evangelhos muito suscintos(...).Nenhuma das
cenas da infância de Cristo forneceu mais material para o povo que a
´Adoração dos Magos´. Suas misteriosas figuras mostradas veladamente nos
evangelhos despertavam ávida curiosidade nas pessoas." Dentre essas
histórias, sobressai o manuscrito Historia Trium Regum de Johannes von
Hildesheim, carmelita alemão e professor de teologia em Paris, publicado
entre 1364-1375, para elucidar a origem dos Magos.
Seus
restos mortais, transladados do Oriente para o continente europeu,
estiveram desde o século VII abrigados inicialmente num modesto templo
construído à época nos arredores de Milão - Itália. A partir de 1164
seguiram para a Alemanha e foram abrigados numa urna dourada instalada
no altar mor da Catedral de Colônia. Esta grandiosa obra de
arte-ourivesaria passou a ser conhecida como "Relicário de Santos Reis".
Adoração dos Reis Magos, 1501-6, Vasco Fernandes - óleo sobre madeira, 130,2 x 79cm, Museu Grão Vasco, Viseu
IDADE MÉDIA
O
texto de Hildesheim mereceu ensaio crítico, na reputada coleção Early
English Text Society, em 1876, assinada por seu presidente C. Horstmann,
reconhecendo "o grande número de manuscritos espalhados na Inglaterra e
por toda Europa cristã, o que comprova a grande popularidade do
referido manuscrito". E conclui: "(...) o assunto dos Três Reis Magos
tornou-se um dos temas favoritos da Idade Média, eram os santos mais
populares do mundo cristão". Afora a Terra Santa, as peregrinações a
Colônia só eram suplantadas pelas de Roma e de Santiago de Compostela.
Os
jesuítas que aqui aportaram com o primeiro Governador Geral Tomé de
Sousa, em 1549, utilizavam essas tradições sob forma de canto, dança e
encenação, na catequese e no ensino a indígenas e colonos portugueses -
reinóis. Anchieta, o precursor das letras brasileiras, formado na escola
de Gil Vicente, compôs (a pedido do Padre Manuel da Nóbrega), ensaiou e
representou sua peça Pregação Universal, reintitulada Na Festa de
Natal, na igreja dos Jesuítas em São Paulo de Piratininga (atual cidade
de São Paulo), no Natal de 1561, no Ano Novo e Dia de Reis de 1562.
Nesse Auto, insere-se ato com a presença dos Reis Magos.
"Festas de Folias de Reis são hoje uma das mais representativas manifestações populares que celebram o ciclo natalino. De aspecto sagrado, musical e teatral narra na maioria das vezes a visita dos Três Reis Magos que levados por uma estrela divina vão de encontro ao menino Jesus."
Encontro Folia de Reis, realizado em 2007 na Praça Cel.Carneiro em Uberlândia - MG
TEATRO
Sobre
o auto, o Padre Armando Cardoso, em obra sobre o teatro anchietano,
assegura que a peça foi encenada noutros núcleos jesuítas, no litoral
brasileiro. Um deles, o dos Reis Magos, localizava-se no Espírito Santo,
20 km ao norte de Vitória - atual localidade de Nova Almeida-, sendo aí
erigida a igreja dos Reis Magos, marco jesuítico no Brasil, tombado
pelo IPHAN, em 1943.
Outro
registro consta do Compêndio Narrativo do Peregrino da América, de Nuno
Marques Pereira, citado por Luiz da Câmara Cascudo: "desses grupos
pedindo os Reis (no sentido de oferta) na Bahia, na segunda metade do
século XVII". Do Compêndio, o etnógrafo português Leite de Vasconcellos
extraiu comentário sobre a presença de mascarados(sic) nas peças
jesuítas.
Foto colhida do site: www.marombo.com.br
O
escritor Graciliano Ramos, atento observador de nossos costumes, no
conto Um Natal, escreveu: "O Natal, festa profana, alcança duas outras;
Ano Bom e Reis. Vice-presidente da Comissão Nacional de Folclore; Membro
do Conselho Estadual de Cultura/RJ; Federação do Reisado do Estado do
Rio de Janeiro; Autor de "Reis Magos: história, arte e tradições" (2006)